Balada da Maria
Maria
era a menina
dos meus olhos quando ia
de avental à padaria
I
Com um saco bordado a ponto-cruz
E as tranças dançando nos dois seios
Maria era criada de servir
Daquelas que se trazem lá da aldeia
Que hoje já não há, a nenhum preço
Maria de sandálias e sem meias
Com a cara lavada de saúde
E os joelhos vermelhos de esfregar
Ir à Missa ao domingo com a patroa
E à tarde com o marçano lá da terra
Maria ia à Feira Popular
Maria vai ao vinho
Vem da Praça, traz nos braços
Um ramo de hortaliça
E parece uma noiva de casar
(Maria...)
II
Namora da janela, de fugida
E na cozinha aos poucos queima a vida
Cozida a fogo lento até queimar
E enquanto lava pratos e panelas
Já lhe saem varizes das chinelas
Já lhe caem os peitos de cansaço
Um dia casará se o Joaquim
Consegue outro trabalho, mais dinheiro
E então deixará de ser criada
Para servir a dias, esfregar a escada
Limpeza de escritório o que vier
Há-de ter uma casa na Damaia e filhos
Domingos de ir à praia
E fadiga até já não poder mais ...
(Maria ...)
III
Maria sonha ser remediada
Tem os sonhos que sonha uma criada
Que veio de comboio ver Lisboa ...
Maria era a menina dos meus olhos
Quando eu era menino do meu bairro
Casou-se ,teve filhos, engordou
Já esqueceu ...
Esqueceu os sonhos que sonhou
Via há dias, sem tranças nem alcofa
Com sacos de plástico e um lenço na cabeça
Às sete da manhã, à espera do autocarro
Maria, Maria , era a menina dos meus olhos
Maria quando ia ...de avental à Padaria ... Maria !
Maria
era a menina
dos meus olhos quando ia
de avental à padaria
X3
Letra e Musica : Mário Mata
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